Como sobreviver às contas de início de ano?

*Por Tcharla Bragantin Depois das festas de fim de ano, quando geralmente gastamos mais do que em outros períodos, os meses de janeiro a março trazem as temidas contas de […]

07/02/2023

*Por Tcharla Bragantin

Depois das festas de fim de ano, quando geralmente gastamos mais do que em outros períodos, os meses de janeiro a março trazem as temidas contas de início de semestre. Embora seja sempre assim, é comum as pessoas se perderem entre esses compromissos, principalmente depois dos excessos do natal, ano novo, férias, viagens e carnaval.

Nos últimos anos, tem crescido o endividamento das famílias, porém com um pouco de planejamento e organização é possível sobreviver a este período financeiro. Pegando alguns exemplos sobre pagamentos prioritários e fixos no início do ano, no Estado de São Paulo, há três formas de pagamento para o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores): à vista teve o desconto de 3% em janeiro; parcelado entre 3 e 5 parcelas ou à vista sem desconto neste mês de fevereiro.

Para quem tem uma reserva financeira, o ideal é fazer o pagamento à vista. Já quem não tem uma reserva financeira, não vale a pena se endividar para pagar à vista, pois os juros pagos pelo empréstimo certamente serão maiores que o desconto. Portanto nesses casos o recomendado é fazer o parcelamento e se atentar aos prazos de vencimento. Lembre-se que pagar o IPVA fora do prazo pode gerar multa e juros que chegam a 20% do valor do imposto devido.

Vale lembrar também que o pagamento do IPVA é um pré-requisito para o licenciamento do veículo (que ocorre entre os meses de abril e dezembro) e que veículos não licenciados ficam impedidos de circular.

Já o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) também começou a ser quitado em janeiro, com descontos para pagamentos à vista ou geralmente com opções de parcelamento em até 10x direto com a prefeitura. É possível aproveitar as mesmas dicas do pagamento do IPVA. Se você tem o dinheiro para pagar à vista, vale a pena, pois geralmente o desconto é maior, por exemplo, do que o rendimento da poupança. Para quem não tem o dinheiro, a melhor opção é o parcelamento.

Nesse sentido, há uma dica importante: não acumule carnês de IPTU de um ano para outro pois isso também gera juros e multas e à medida que o tempo passa fica mais difícil a quitação. Portanto, atenção redobrada ao recebimento do carnê e para as datas de vencimento.

Já os gastos escolares com matrícula, uniforme e material escolar sempre acontecem nesse mês. Se os valores de matrícula estiverem fora do alcance, vale a pena tentar negociar com a escola uma flexibilização no pagamento ou até mesmo a diluição nas parcelas da mensalidade. Quanto ao material escolar, pesquisar os preços antes de comprar é fundamental e, nesse cas,o, a utilização do cartão de crédito (para aqueles que não podem pagar à vista) é uma boa opção, com o cuidado de sempre pagar a fatura no valor integral para não acabar com mais uma dívida. Uma boa opção é reaproveitar o que for possível do material do ano anterior, unindo economia e sustentabilidade. Converse com seus filhos e explique que essa economia poderá ajudar a poupar, por exemplo, para as férias de julho.

Para finalizar, a principal dica é: não se esqueça destes gastos de início do ano e faça uma reserva para essas contas. Procure economizar durante esse ano, criando uma reserva financeira especialmente para essas contas e tenha um início de 2024 financeiramente mais tranquilo e estável.

*Tcharla Bragantin é economista e especialista em mercado de capitais, matemática e gestão e em finanças empresariais. Mestra em gestão e desenvolvimento regional, Tcharla é professora e coordenadora do curso de Ciências Contábeis do Módulo e da FASS.