Foi realizado na segunda-feira, dia 11 de maio, o Fórum “Doação de Órgãos para Salvar Vidas”, no Campus II do CEUNSP, em Itu. O evento, promovido e mediado pela deputada estadual Rita Passos (PSD), foi aberto à população e teve como objetivo informar, conscientizar e incentivar a doação de órgãos.

A presença de especialistas nas diversas questões que envolvem a doação de órgãos garantiu uma discussão aprofundada e esclarecedora sobre o tema. O Auditório Imaculada Conceição ficou praticamente lotado, com cerca de 600 pessoas, principalmente estudantes dos cursos da Faculdade de Saúde e Ciências da Vida (FSCV) do CEUNSP, além de professores, coordenadores e diretores da Instituição. O prefeito de Itu, Antonio Tuíze (PSD), secretários de governo e vereadores também prestigiaram o evento.

O primeiro a palestrar foi o médico Jorge Luiz Arcêncio, coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes (CIHT) do Hospital São Camilo de Itu. Ele abordou sobre o processo de doação e a importância, para quem deseja ser doador, de conversar com a família, pois, atualmente, a legislação prevê que somente os familiares podem autorizar a doação.

Segundo dados de 2014 da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), a maior dificuldade em realizar os transplantes é a falta de autorização da família para a cirurgia, com 46% de rejeição.

Na sequência do Fórum, Fabiana Cavalcanti, assistente social da CIHT do São Camilo, tratou dos trâmites e as dificuldades da doação. Para ela, é fundamental que o profissional tenha uma postura ética e seja transparente com a família. “É preciso esperar até que o quadro seja irreversível”, afirma. Ela explicou como é feita a abordagem com a família e relatou também que uma das principais preocupações é devolver o corpo íntegro. Nos últimos 5 anos, conforme disse, o São Camilo realizou 830 entrevistas com famílias, tendo conseguido 510 captações de córneas e 16 de múltiplos órgãos.

A bióloga formada pelo CEUNSP, Josy Aparecida, abordou sobre a Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes que está sendo implantada no Hospital São Camilo de Salto, seu trabalho de sensibilização e o papel dos biólogos nessas comissões. Josy finalizou com uma frase de um anônimo que diz que “doar órgãos é eternizar uma parte de você, fazendo com que a gratidão transforme a saudade em apenas um detalhe”.

O superintendente do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), Edil Vidal de Souza, explicou que a córnea, que é a membrana que cobre o olho como uma lente de contato, pode ser aproveitada por até três doadores, e apontou que a necessidade de um transplante está bem mais próxima do que normalmente se imagina. “80% dos transplantes de córnea são por problemas de ceratocone, uma deformidade que deixa a córnea bicuda e que tem maior incidência em pessoas jovens, de 18 a 35 anos”, disse.

Outros casos que envolvem o transplante são os acidentes de trabalho e domésticos, como queimaduras e perfurações, e acidentes de trânsito, eventos que estão sujeitos a qualquer pessoa. Ele informou que entre 15 mil e 20 mil pacientes estão na fila por uma doação de córnea no País. No Estado de São Paulo, são em torno de 2 mil pessoas.

A enfermeira Thamiris Altea, especialista em doação de órgão e transplante da Universidade Federal Paulista, apresentou como funciona a estrutura organizacional para a captação, transporte e transplante de órgãos no Brasil. Integrante de uma OPO (Organização de Procura de Órgãos), ela explicou como é o funcionamento dessa entidade, que faz uma busca ativa por possíveis doadores, e também detalhou os exames clínicos que atestam a morte encefálica de uma pessoa.

Já o deputado federal Herculano Passos (PSD) falou como o legislador pode contribuir na doação de órgãos e destacou que estuda, em Brasília, uma forma de melhorar as condições dos profissionais que atuam nas CIHDOTT (Comissões Intra- Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes). O deputado também apresentou uma indicação na Câmara Federal para que o Ministério da Saúde promova campanhas permanentes de incentivo e esclarecimento à doação de órgãos.

A deputada estadual Rita Passos finalizou o Fórum dizendo que o brasileiro é muito solidário, mas às vezes não sabe como pode ajudar. “Acredito que um evento como esse Fórum pode esclarecer e conscientizar futuros doadores”, disse. Rita também destacou que, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, trabalha para aprovação de um Projeto de Lei, de sua autoria, que institui a campanha permanente de esclarecimento e incentivo à doação de órgãos.