
texto: Edvaldo Santinon
Descrição Heráldica
Escudo francês cortado, primeiro de blau, uma estrela de prata; segundo de goles, um livro aberto e uma lâmpada antiga, acesa, com seu cabo em forma de monograma grego de Cristo Nosso Senhor, tudo de prata, as figuras alinhadas em banda a segunda brocante em prata sobre a primeira. Encimando, coroa mural de prata, com quatro torres, sendo três visíveis, sobre um manto de blau, espalmado de pele alva e flor-de-lisado também de blau, atravessante ao cantão sinistro do chefe. Como suporte, listel de prata, com a legenda: “Fons Sapientiae Verbum Dei”, sobre dois ramos de louros de sinopla passados em aspas.
Simbolismo
O escudo francês é uma referência à nacionalidade das irmãs que em 1859 inauguraram o Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, célula inicial do CEUNSP.
A estrela de prata sob um campo azul celeste é, por excelência, um símbolo mariano e uma homenagem ao orago da instituição.
O azul, em Heráldica, representa justiça, cuidado pela doçura, lealdade, inocência e piedade. O vermelho, virtudes como fortaleza, bons cuidados, valorosidade, fidelidade, alegria e honra.
O livro aberto remete ao saber, iluminado pela luz da fé, a qual é simbolizada pela lâmpada, com o monograma de Cristo. A chama representa criação e vitória sobre as trevas, numa referência ao pioneirismo e espírito visionário, sendo a primeira Instituição confessional de ensino para mulheres do Estado de São Paulo e a segunda do país. Também foi responsável pelas primeiras faculdades nas cidades de Itu e Salto, pelo primeiro Centro Universitário da Região do Vale do Médio Tietê e pelo primeiro curso de pós-graduação em Itu, entre outras ações.
Estando o Centro Universitário inicialmente localizado em Itu, foi posta sobre o escudo a coroa mural, tirada do brasão da cidade. Na heráldica, a representação dos castelos sempre teve grande importância, pois nos tempos medievais eram poderosos baluartes de defesa e a residência de imperadores e reis.
O manto é uma clássica alusão à soberania, ao poder de decidir, de conduzir. Neste aspecto, representa a conquista da chancela de Centro Universitário em 1998, que lhe confere autonomia na decisão pela abertura de cursos. A cor azul e o barrado de flor-de-lis também remetem a Nossa Senhora, mas em referência às padroeiras de Itu, Nossa Senhora da Candelária, e Salto, Nossa Senhora do Monte Serrat, como homenagem às cidades em que estão instalados os campi da instituição.
Os ramos de louros verdes, símbolos de vitória e imortalidade, fazem menção aos 50 anos de cursos superiores, data em que o brasão foi remodelado. No listel de prata, o lema “A Palavra de Deus é a Fonte da Sabedoria”.
Simbologia
“A ausência ou decadência de símbolos
sociais numa determinada época podem ser
entendidas como sintomas de crise na cultura
e na sociedade”
Mandred Lurker
Brasão – Surge na época das Cruzadas, no primeiro terço do século 12. Sua representação inicial era do elmo fechado, especialmente nos escudos dos cavaleiros. Também desta época data o Simbolismo Medieval. A relação do homem com as coisas era simbólica: estrelas e elementos, plantas e animais, cores e números. Deus, enquanto princípio, está presente de modo oculto em todos os fenômenos, por isso, tudo pode tornar-se símbolo. Com esta forte presença de analogias através dos símbolos, o brasão passou a ser uma forma de simbolizar os ideais daquele que o detinha.
Escudo – Símbolo de invulnerabilidade e segurança. As virtudes, especialmente a coragem, têm freqüentemente um escudo como atributo.
Estrelas – Simbolização de poderes mais elevados, também do celeste e inatingível. Nesse aspecto, relaciona-se com algo divino.
Livro – Sabedoria e conhecimento, mas também relações com o divino. A pessoa que faz o juramento coloca a mão sobre o livro sagrado, por estar este imbuído de uma força misteriosa.
Lamparina – Alerta e prontidão.
Luz – A criação do mundo corresponde à superação das trevas pela luz. “Faça-se a luz” – foram as primeiras palavras de Deus. Dicotomia: luta entre luz e trevas, caos e ordem.
Fogo – Símbolo da criação da vida. A chama em movimento é símbolo da vida, prestígio e poder.
Louro – Símbolo da vitória, paz e, como planta sempre verde, da imortalidade. Atletas, artistas e generais eram condecorados com uma coroa de louros, tanto na Antiguidade como mais tarde, no Renascimento.
Castelo – Na Idade Média, os castelos reuniam os exércitos, camponeses e vassalos, além dos rebanhos e toda produção da terra, que ficava a salvo da cobiça dos inimigos. Esses castelos tinham meios próprios de subsistência, visto que muitas vezes eram assediados e cercados por longo tempo. Em heráldica, o castelo não deve ser confundido com a torre. Seu desenho deve apresentar-se rigorosamente em um só bloco, com uma porta e duas janelas, o todo sobreposto por três torres, geralmente com a do meio maior que as das laterais.
Torre – Segurança, fortaleza. Erguendo-se para o céu, é guia e ligação com o mundo superior. Maria é louvada como torre na Litania Lauretana (ladainha).
Coroa – Um dos mais antigos símbolos de soberania, adorno de cabeça de várias divindades egípcias. Representa vitória e merecimento.
Manto – Proteção. Maria é freqüentemente representada, em imagens de glorificação, ascensão e coroação, com um manto azul decorado com estrelas. Além de ser a veste na divindade, também é a do soberano. Mas ter o título de soberano não produz um soberano. A soberania engloba valores como admiração, respeito, reputação de poder e prestígio. O prestígio é a essência da soberania, para intensificar e exercer o poder.
Flor-de-lis – Como símbolo de Maria, indica maternidade virginal. Para alguns, a flor-de-lis é uma espécie de lírio na forma tripartite. O lírio heráldico é antigo símbolo real e de fertilidade, abreviação icônica de arbor vitae (árvore da vida), pois o monarca permite/assegura a vida. No cristianismo medieval, o lírio indica o patronato da mãe divina, ou na sua forma tripartite, a Trindade, especialmente nos brasões dos reis franceses, portanto, símbolo de monarquia. Procurou-se derivar a expressão fleur de lis de Löys, forma pela qual Luis XI escrevia seu nome.
Pax – Paz, sendo que a paz é premissa de prosperidade.
Cores – Em Filon de Alexandria, as quatro cores do culto mosaico são: azul (elemento ar), vermelho (água), branco (terra) e carmim/escarlate (fogo).
Bibliografia
LURKER, Mandred. Dicionário de Simbologia, Martins Fontes, SP, 2003, 2ª edição
KIRSTEN, José Tiacci (Org.). Símbolos Nacionais do Brasil, Departamento de Estatística de SP, SP, 1974, 4ª edição
MARSHALL, James. Espadas e Símbolos – A Técnica da Soberana, Forense, RJ, 1972